Resenhando: The Flash – Primeira Temporada

Preciso começar dizendo que eu não gostei de Arrow. Assisti a metade da primeira temporada, depois assisti a alguns episódios aleatórios e não deu pra mim. Eu adoro o personagem do Arqueiro Verde, mas Arrow tem tantos, mas tantos problemas que eu simplesmente não consegui ignorá-los. O personagem titular não funciona, sua relação familiar não funciona, os outros vigilantes a quem ele inspira não funcionam, eles aparecem rápido demais, sem muito treinamento, enquanto o próprio Arqueiro passa por um treinamento extensivo. Há o recurso interessante dos flashbacks, que foi usado com bastante maestria em Lost, mas em Arrow acaba sendo repetitivo e usado para preencher tempo de episódio, ao invés de levar a trama para frente. Além de muitos personagens inventados ruins, personagens dos quadrinhos que sofrem com o roteiro ruim e a falta de criatividade e, o pior ainda, a série acabou virando uma novela mexicana, com o vigilantismo do Arqueiro Verde sendo usado como uma mera profissão, e não um ato heroico. Por esse motivo, quando anunciaram uma série do Flash, depois do velocista ter aparecido em alguns episódios de Arrow, eu hesitei em aceitar. Mas precisei torcer minha língua. The Flash é adorável.

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crossover entre as séries

Barry Allen é um perito criminal da polícia de Central City que perdeu sua mãe em um ataque misterioso que acabou levando seu pai, o único suspeito, para a cadeia inocentemente. Barry então foi criado por um amigo da família, o detetive de polícia Joe West, junto com sua filha Iris. Só que Barry é atingido por um raio, que acaba conferindo a ele poderes de velocidade. Ele pode se mover mais rapidamente, se curar mais rapidamente, atravessar paredes, subir prédios, viajar no tempo e até mesmo pelo espaço. Então mergulhamos junto com Barry em sua busca por respostas. De onde veio aquele raio que o atingiu? O que havia naquela descarga elétrica? Quem matou a mãe de Barry? E para ajudar a respondê-las, Barry conhece um grupo de cientistas dos Laboratórios S.T.A.R. Juntos, eles descobrem que a mesma anomalia que a atingiu Barry, e o conferiu poderes, também atingiu outras pessoas, conferindo a elas poderes diferentes. A missão se torna conter esses meta-humanos, antes que eles causem algum mal.

The Flash é muito boa, tão boa que nem deveria ter alguma conexão com Arrow. É uma série muito bem escrita, com diálogos expositivos excelentes, principalmente aqueles que lidam com questões de ciência, como biologia, química ou física. Os roteiristas dão um jeito de sintetizar tudo muito bem em poucas falas, tornando questões físicas complicadíssimas em algo fácil, simples, divertido e compreensível. A série é muito fiel ao que nos foi apresentado nos quadrinhos do herói nestes últimos 75 anos, em termos de caracterização de personagens, enredo e uma das principais características das histórias do Flash, o humor.

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O ator Grant Gustin, que interpreta o Flash

Apesar do formato “caso da semana” e da temática policial, a série constrói pouco a pouco uma história que faz tudo se interligar, como se um único fio conduzisse toda a trama. Não há pontas soltas, é tudo muito bem aproveitado e nada é simplesmente jogado, não há episódios filler, que servem para preencher a demanda de 23 episódios. É tudo muito bem pensado e amarrado, como se já soubessem o final antes mesmo de começar, deixando pistas aqui e ali para nós tentarmos resolver o mistério maior. Os personagens têm arcos que os tornam humanos, os tornam facilmente identificáveis, e suas histórias não são simplesmente completadas de um episódio para o outro, há uma evolução, e cada arco torna aquele personagem único. A narrativa é excepcional.

Até mesmo os vilões que aparecem a cada semana acabam reaparecendo ou sendo mencionados em outros episódios, sendo utilizados também de forma interessante. Suas caracterizações, claras adaptações dos quadrinhos, funcionam em uma história quase-realista, em que super-heróis e vigilantes literais não funcionariam. Os roteiristas encontram um jeito de adaptar da forma mais crível possível os vilões, como o Capitão Frio ou o Onda Térmica. Conseguem tornar até mesmo o Oliver Queen de Arrow minimamente interessante, misturando as duas séries em alguns crossover ao longo da temporada, que não parecem muito forçados e nem mal escritos, mas que na verdade evidencia o quanto esse universo funciona melhor junto do que separado.

Outra questão interessante abordada, que pode passar despercebido para muitos, é a etnia dos personagens. Joe e Iris West nos quadrinhos são brancos, na série, baseando-se na última encarnação deles dos Novos 52, os torna negros. E não apenas troca-se a etnia, mas também os empodera. Joe West é um detetive honrado da polícia, que criou Barry como seu próprio filho, a ponto do herói considera-lo um pai, mesmo tendo o seu ainda vivo. Iris West começa como uma atendente de cafeteria, até decidir escrever um blog investigativo que atrai a atenção de um jornal, para o qual ela é contratada. Uma mulher negra que consegue um emprego melhor através do seu próprio trabalho. Há ainda o chefe de polícia, que é gay e muito bem casado, um romance interracial entre Iris e o detetive Eddie Thawne, loiro de olhos azuis. Com certeza não foram decisões aleatórias dos roteiristas, estão ali por um motivo e sucedem muito bem em seu propósito.

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Parte do elenco da série; a dra. Caitlin Snow, o detetive Joe West, a repórter Iris West, o Flash e o cientista Harrison Wells.

Uma atração à parte são efeitos especiais, que em The Flash atingem um novo ápice, em minha opinião. Claro que há Game of Thrones, que constrói lugares inteiros com computação gráfica, mas a situação é diferente. Estamos falando de uma série semanal tradicional, com 23 episódios anuais, de uma emissora jovem, com custos bem menores que a premiadíssima série da HBO. Um bom parâmetro seria Once Upon a Time, que semanalmente trazia efeitos risíveis, ainda que em uma grande emissora americana, a ABC. Em The Flash temos vilões e seus poderes sendo construídos com CGI, explosões nucleares, um super gorila, viagens no tempo e até mesmo os próprios poderes do velocista sendo apresentados semanalmente, com o mesmo nível de qualidade, sem decair.

Assumindo um formato antigo e datado de se fazer TV, 23 episódios ao longo de nove meses, enquanto a moda são as séries curtas e concisas do Netflix ou da HBO, os criadores Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns conseguem inovar de forma louvável, trazendo uma narrativa linear que atravessa todos os episódios, sem em momento nenhum se perder ou nos deixar perdidos com os ocorridos. A história é contada de uma forma que se torna muito fácil se lembrar de eventos que ocorreram há muitos episódios. A série abole a narrativa picotada que ficou muito famosa através da TV americana, com seus inúmeros dramas policiais e médicos que não possuem um fio condutor, sendo apenas vários episódios sobre diferentes temas jogados numa panela, sem se preocupar com a continuidade, um termo muito associado aos quadrinhos também. The Flash pode ser facilmente a melhor série adaptada de um quadrinho da DC Comics, mantendo tudo o que torna o personagem titular famoso, trazendo temas atuais para a pauta e falando para um publico jovem-adulto, o que é ainda melhor. Imperdível!

Resenhando: Superman Sem Limites

Em Junho de 2013, para comemorar o aniversário de 75 anos do personagem e também o lançamento de um novo filme do azulão nos cinemas, a editora DC Comics decidiu publicar a minissérie Superman: Sem Limites, que chegou aqui no Brasil primeiro na revista mensal do herói, e esse ano em um encadernado de luxo belíssimo. Escrito pelo brilhante Scott Snyder, de Vampiro Americano e mais conhecido por suas histórias eletrizantes do Batman, e ilustrado pelo lendário Jim Lee, de Batman: Silêncio, Superman: Pelo Amanhã, X-Men e muitos outros, a história teve êxito na jogada comercial. Ficou no topo da lista de mais vendidos com 250 mil cópias comercializadas. Mas o hype não era somente pelo lançamento do filme, nem pelo escritor e nem pelo artista, e sim pelo conjunto de todos esses fatores, que acabou criando uma das melhores histórias do personagem dos últimos tempos.

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Jim Lee e Scott Snyder

Com o relançamento de toda a linha editorial em 2011, muitas revistas falharam e foram canceladas, e outras ganharam novos times criativos. Superman foi um que sofreu com seu reboot, deixando o personagem complicado e incongruente, o que dificultava o trabalho dos escritores, e muitos tentaram escrevê-lo, George Pérez, Dan Jurgens, Scott Lobdell… Nenhum conseguiu se apropriar do herói para criar uma boa história. Este Superman era diferente, já não tinha seus pais, não tinha um romance com Lois Lane, não se encaixava com as demandas do Planeta Diário, era menos poderoso, uma pessoa completamente diferente, o que poderia tê-lo tornado um verdadeiro mistério para muitos autores. Mas não para Scott Snyder.

Enquanto todos esses elementos diferentes poderiam tê-lo distraído da história principal, na verdade aqui eles nem mesmo são o foco principal, o foco em si está espalhado em algumas tramas paralelas. Logo no início, Snyder revela que a bomba de Nagasaki, que dizimou o Japão em 1945, era na verdade um ser alienígena bastante parecido com o Superman. Enquanto com poderes similares aos de Clark, este ser desconhecido vindo de outro planeta, é ainda mais forte que o herói, capaz de destruir cidades completas. Ele se chama Aparição (péssima tradução, eu sei. Era pra ser Espectro, mas vamos fazer o que né?), e trabalha para o governo desde 1938, quando chegou à Terra. Aparição foi criado pelo governo americano como uma arma letal e acabou descobrindo que ao se aliar aos poderosos o mantinha vivo, até que chega o Superman, que nem sempre concorda com as ações do governo, e principalmente, com as do General Lane. Aparição ainda faz a gentileza de demonstrar querer se aliar ao Superman, algo que o herói rejeita veementemente, com uma fala sobre o valor da amizade e do caráter humano excepcionalmente bem escrita por Snyder. Os dois até chegam a lutar lado a lado para salvar vidas, mas o episódio serve para demonstrar ainda mais o que difere o Aparição do Superman, apesar de possuírem basicamente os mesmos poderes e terem uma história parecida. É então que Aparição revela que cedo ou tarde haverá um embate entre os dois, já que o Superman se recusa aliar-se ao governo.

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Enquanto isso, Lois Lane sofre um grave acidente de avião, mas consegue sobreviver graças à misteriosa aparição (hehe) de um homem cego com uma pedra preciosa superpoderosa. Jim(my) Olsen é sequestrado por um vilão magnata que o tortura e expõe seu plano de como acabar com o Superman através de… origami. E também estão bastante presentes a Mulher Maravilha e o Batman, que finalmente constrói um batsuit que permite com que ele fique invisível para o Superman, caso ele tome o lado do mal um dia.

Esta é uma história excepcional, simplesmente brilhante. O conceito de um vilão superpoderoso assim como o Superman é antigo, já foi usado inúmeras vezes nestes mais de 75 anos de vida do personagem, e chega até a ser um pouco batido, principalmente quando lembramos que recentemente vimos um embate de Superman e General Zod nos cinemas. Mas o Aparição é um personagem construído especialmente para esta história e ele funciona! Seu passado é sombrio, ele é ainda mais poderoso do que o Superman porque habita a Terra há mais tempo, o que significa que seus poderes tiveram mais tempo para se desenvolver sob a luz do nosso sol amarelo. O curioso é que Aparição realmente desempenha um papel que até meados dos anos 80 era o de Superman, o agente do governo que não questiona as ações do mesmo, tão patriota que chega a ser insípido. No entanto o Superman dos Novos 52 é mais cheio de opinião e só age conforme suas vontades e seus valores, conforme deixa claro em um diálogo com Aparição. Então temos aqui um Superman evoluído, um personagem que representa mais a sociedade que vivemos hoje, os jovens de hoje, do que a sociedade pró-America, pró-Guerra da década de 80. O Superman, junto conosco, evoluiu, e agora ele enfrenta um vilão que é, basicamente, o que ele era 30 anos atrás. Isso é lindo.

E Scott Snyder não foge dos novos elementos dos Novos 52, ao invés disso, ele os abraça. Clark não trabalha mais para o Planeta Diário, agora ele tem um blog investigativo que o permite maior liberdade criativa. Ele é apenas amigo de Lois Lane, mas como sabemos de outras histórias dessa fase, ele já tem interesse nela, e vemos um romance se desenvolver ao longo da história, chegando ao ponto que Clark quase revela que é o Superman. Jimmy Olsen é chamado apenas de Jim, continuando um grande parceiro de Clark, indo até seu apartamento para levar rosquinhas pro jornalista e botar o papo em dia. Tanto mudou, mas tanto continua o mesmo. A essência dos personagens não foi alterada, mas as circunstâncias de suas vidas sim. Mas isso não importa realmente aqui, os elementos dos N52 funcionam apenas como pano de fundo de uma tapeçaria muito maior.

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A história toda tem um tom bastante cinematográfico. O tempo inteiro parece que estamos assistindo a um filme, principalmente se você lê tudo de uma vez só. Temos flashbacks que ajudam a contar um episódio paralelo da infância de Clark com Lana, que se ligam imediatamente ao que estamos vendo no presente, e com a maravilhosa arte pintada de Jim Lee, que ajuda a dar um tom de lembrança ao pequeno conto. Snyder constrói uma trama extremamente bem amarrada, praticamente perfeita, deixando apenas um ponto sem nó, que acaba não interferindo no produto final. São lançadas algumas tiradas, alguns diálogos, que imaginamos que não terão uma solução, e ele nos surpreende fechando tudo muito bem. A transição de cena para cena é feita de forma magistral, ligando uma trama completamente diferente da outra através da temática de cada situação. Inclusive é interessante como Snyder trabalha os temas desta história, que são os mesmos temas de muitas histórias clássicas de Superman, só que com um twist. Há ainda diversas homenagens à obra seminal de Frank Miller, Batman: O Cavaleiro das Trevas, bastante sutis, mas facilmente reconhecíveis por fãs.

Sem dúvidas, Superman: Sem Limites é a história essencial do herói dentro da iniciativa Os Novos 52, que não ficou muito famosa por ter sido boa, e sim pelo contrário. É um arco fechado e autocontido, e apesar de pertencer a uma continuidade, não saber nada daquela continuidade não interfere de forma alguma o entendimento. Mais um ponto positivo. Feita especificamente para o aniversário de 75 anos do Superman, pode ser que alguns conceitos abordados na trama soem estranhos a quem não conhece o herói dos quadrinhos e quer ler somente porque assistiu aos filmes. Algumas coisas vão parecer diferentes, e são mesmo diferentes, mas são tão bons quanto e até melhores do que determinadas histórias. É basicamente um material feito de fã para fã. Está mais do que recomendado!

O que andei lendo…

Olá pessoal! Hoje venho trazer mais uma lista de recomendações, e desta vez são mais HQs, já que é o que eu mais tenho lido no momento. Esperem por uma nova lista mês que vem. Espero que gostem!

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Esquadrão Suicida – Chute na Cara, de Adam Glass, Federico Dallocchio e Clayton Henry

Lançado no Brasil aproveitando o todo o hype envolvendo o filme (que eu avaliei aqui), esta HQ surpreende de forma positiva. Não espere uma escrita fora do comum ou uma arte de tirar o fôlego, aqui é tudo jogado com segurança. A diferença é como foi jogado. A história é jogada, largada, despretensiosa, e isso é positivo e casa muito bem com a proposta do grupo de vilões que precisam fazer o bem, mas ainda assim são vilões. E eles são quase os mesmos do filme, Pistoleiro, Arlequina, El Diablo, com a adição de um ou outro que não duram muito na narrativa. A Amanda Waller – aqui mais Halle Berry do que Viola Davis – designa uma série de missões do nada, fazendo com que essa compilação de sete edições da revista progrida muito bem, deixando o leitor sempre atento e em estado de alerta, assim como o próprio Esquadrão. Seria ótimo se o filme fluísse com essa naturalidade e segurança. Ainda temos uma história de origem para a Arlequina dos Novos 52, na qual o filme se baseia em parte. Ela é bem bacana e casa justamente com a HQ debaixo, Batman: Faces da Morte.

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Batman – Faces da Morte, de Tony S. Daniel

Lançado lá fora na revista Detective Comics, que se propõe a reunir as histórias mais detetivescas do personagem, ela não desaponta. Durante o percurso de sete edições, somos apresentados a diversas histórias, todas interessantes e muito bem escritas. O Coringa fugiu novamente e o detetive Gordon e Batman se reúnem para tentar contê-lo mais uma vez; o Criador de Bonecas está na ativa e determinado a atingir Jim Gordon; o Pinguim e a máfia estão de volta com um plano que seria infalível se não fosse por uma grande reviravolta. A arte é sensacional, e a narrativa me lembrou bastante com a de O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Certamente é uma das melhores histórias do Batman nos Novos 52, e a primeira que continha o Coringa na nova iniciativa. E apesar de estar atrelada a um universo contido, esta HQ pode ser lida facilmente sem precisar se importar muito com o que está acontecendo nos títulos paralelos. Recomendadíssimo!

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Superman – Qual o Preço do Amanhã?, de George Pérez, Jesús Merino e Nicola Scott

Preciso dizer: eu havia ouvido falar muito mal desta HQ. Na época em que foi lançada, de novembro de 2011 a abril de 2012, houveram muitas controvérsias em torno do título do Superman, o autor George Pérez anunciou publicamente que a DC Comics não sabia o que estava fazendo com o personagem, que o outro título do personagem, Action Comics, escrito por Grant Morrison, estava confuso e não havia uma direção concreta, que acabava deixando seu título, que supostamente se passa cinco anos no futuro em relação a Action Comics, no escuro. Criou-se então uma rixa entre os escritores, levando a Pérez abandonar o título depois de apenas seis edições, enquanto Morrison continuou com a sua e fez o triplo. Posteriormente, Pérez ainda viria a dizer que sua história acabou sendo severamente editada, e não cumpriu com o que ele havia planejado. Evidente que esses problemas elevaram minha curiosidade pela HQ, e posso dizer, para um autor renomado como George Pérez, realmente a história deixa a desejar na execução.

Somos apresentados a um Superman que já está em ação como herói a pelo menos cinco anos, a uma Lois Lane que não tem muitos vínculos com Clark Kent e a um Planeta Diário da era digital. O jornal é comprado por um enorme conglomerado de notícias, que torna Lois Lane uma editora de telejornal e Jimmy Olsen um cinegrafista. Os pais de Clark já estão mortos, o que o torna bastante isolado e desligado do mundo em que vive. A ameaça fica a cargo de um novo vilão, ou três novos vilões, um de fogo, outro de gelo e outro invisível. É aqui que a história encontra seu primeiro problema. Os vilões são genéricos, apesar de a sensação de perigo existir, não é o bastante para uma história deste nível. Depois é melhor explicada a origem destes novos vilões, mas ainda assim não se justifica. Há até mesmo um grande embate entre Superman e Supergirl, o que torna as coisas um pouco estranhas até serem explicadas mais uma vez.

No entanto, se pensarmos no conceito maior desta história, e que casa com o título, é uma obra interessante. Metrópolis finalmente se tornou a cidade do amanhã com os avanços digitais do século XXI, algo que se é imaginado e aludido desde o início da história do Superman, que também é o homem do amanhã. Agora, qual é o preço a se pagar por tamanhos avanços? Um vilão – ou três deles, seja como for – tecnológico, uma ameaça cibernética. Pérez coloca para nós que a mesma tecnologia que nos salva, representada pelo Planeta Diário e sua equipe de repórteres, é a mesma que nos coloca em perigo, criando monstros tecnológicos. E isso é apenas um paralelo do que existe na nossa vida. Por exemplo, as mesmas câmeras que nos protegem também servem para nos espionar. Vista por esse ângulo, a HQ ganha uma nova e mais interessante perspectiva.

A primeira edição é fantástica, com muitas informações sendo despejadas, mas sem se fazer difícil compreender, mesmo com um ritmo veloz de escrita, a história flui como um filme. E a arte é ótima também, com os esboços do próprio George Pérez sendo finalizados por Jesús Merino. Apesar de todos os pesares, ainda recomendo essa HQ a todos os fãs do personagem, que aqui são introduzidos a um Clark Kent mais introspectivo, mais na dele, menos o herói superpoderoso que estamos acostumados a ver. Afinal, é uma boa mudança.

Espero que tenham gostado! Mês que vem tem mais!

Resenhando: Grandes Astros Superman

Quando a Panini reeditou Grandes Astros Superman neste ano, simplesmente não pude deixar de comprar. Esta é uma daquelas histórias que você só escuta coisas boas, apenas críticas rasgando seda à obra, então é evidente que a oportunidade de lê-la era imperdível, para dizer o mínimo. E, sendo bastante objetivo, ela é tudo o que falam, e ainda mais.

Somos apresentados a uma viagem de astronautas que desbravam a órbita do sol, quando o vilão Lex Luthor sabota a missão, levando Superman a salvá-los. E essa era a intenção de Luthor o tempo todo, deixar o Superman próximo demais à superfície solar, para que o astro, que confere a ele os seus superpoderes, aniquilasse o herói. O que ocorre é que a aproximação sobrecarrega as células do Superman com excesso de radiação solar, encurtando a vida dele, sobrando apenas um ano de vida. Com esse alerta, nosso querido herói começa a enxergar sua própria existência com outros olhos.

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Ao longo de doze histórias somos introduzidos a conceitos clássicos do herói, como a Fortaleza da Solidão, o Planeta Diário e suas repórteres, Lois Lane e Cat Grant, o amigo e fotógrafo Jimmy Olsen, o cãozinho Krypto, o monstro Doomsday, e até mesmo personagens desconhecidos, como Bar-El e Lilo, Le-Roj e o fantástico Zibarro. São histórias que parecem simples à superfície, mas que possuem um significado maior quando são analisadas.

Em um capítulo, Jimmy Olsen se transforma em Doomsday para conter o Superman, que ficou malvado depois de exposição à Kryptonita negra, mas o real motivo de Jimmy querer virar o monstrão é para poder relatar tudo em sua coluna de jornal. Essa é uma crítica discreta ao clássico A Morte de Superman, que não foi nada além de uma grande jogada de marketing, uma história feita somente para vender revistas em uma época de crise, apesar de ter se tornado uma das maiores histórias já publicadas. Claro que não poderia deixar de receber uma referencia em Grandes Astros.

Em outra história, Superman vai parar no mundo cúbico de Bizarro, o Subverso, onde seus poderes não funcionam como deveriam e ele não consegue simplesmente alçar voo para escapar. Ele conhece então um dos personagens mais peculiares de todo o livro, o Zibarro, uma espécie rara entre os Bizarros que nasce podendo falar normalmente e se comportar normalmente. Ele é um estranho no ninho, um ser completamente incompreendido todo o tempo, solitário, triste e poético. Zibarro é um reflexo do que chamamos de depressão.

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De volta à Terra, depois de alguns meses sumido, Superman descobre que foi substituído por outros filhos de Krypton, os novos heróis Bar-El e Lilo. Só que, mesmo tendo a mesma linhagem de Superman, o casal é incapaz de fazer o bem como ele, e querem transformar o planeta na Nova Krypton. Por fim, eles acabam sendo mortalmente afetados por uma nuvem tóxica, que os deixam cegos e sem poderes. Esta história serve para ilustrar que, mesmo tendo a mesma origem, os mesmos poderes e as mesmas capacidades, não há ninguém como Superman.

E em uma das passagens mais espetaculares e singulares de todo o livro, Superman é elevado ao status de deus. O herói, literalmente, cria vida, cria um mundo, a Terra Q. Acompanhamos acontecimentos importantes da história dessa Terra alternativa, como tribos pré-históricas, reuniões iluministas e até mesmo Nietzsche dá as caras, tudo para culminar na criação de um Superman paralelo, pelas mãos de Joe Schuster. E isso tudo acontece dentro de 24 horas, em mais um dia comum para o Superman original, em que ele salva Lois Lane mais uma vez, evita que uma adolescente punk cometa suicídio e utiliza os nano habitantes de Kandor para curar o câncer de crianças em estado terminal. Surpreendente.

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O brilhante escritor Grant Morrison faz um trabalho realmente excepcional, limpando décadas e décadas de histórias convolutas e adições desnecessárias ao personagem, garimpando entre todas as versões já existentes e suas principais aventuras para criar a epítome do que é o Superman. O Superman é um cara que faz o bem, que vive para o bem, que inspira coisas boas e atitudes positivas. Ele é um cara altruísta, generoso, inspirador, um grande salvador, extremamente caridoso, um verdadeiro exemplo de conduta, um modelo para a humanidade.

Eu, particularmente, não havia lido ainda nada escrito por Grant Morrison, mas é de conhecimento geral que suas obras possuem caráter subversivo, psicodélico e, por vezes, contemplativo. Morrison também é muito conhecido por escrever coisas sem pé nem cabeça, divagações filosóficas e metafísicas que poucos entendem de verdade, e os que não entendem fingem entender. Mas Grandes Astros é incrivelmente acessível, apesar de ainda conter diversas divagações filosóficas e paralelos existenciais.

A arte é um show à parte. Frank Quitely produz aqui o que pode ser dita sua obra essencial. Através de traços por vezes cartunescos e por vezes realistas, Quitely cria um Superman que é exatamente o que se imagina dele, que, além de tudo, transmite serenidade com o olhar. Seu corpo, aqui ainda mais troncudo do que o normal, assume o caráter seguro e relaxado, como se nada pudesse atingi-lo. Seu uniforme está um pouco diferente também; sua capa está mais curta e sua infame cueca por fora da calça vira um shorts mais comprido. Agora é a reimaginação de muitos personagens clássicos que surpreende, como um Jimmy Olsen travesti e a Lois Lane sendo Superwoman por um dia.

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Os painéis são incrivelmente limpos, mas extremamente detalhados. Só é desenhado o que merece ter atenção, o que realmente precisa estar em foco, deixando o livro muito direto e conciso, o que facilita bastante a leitura, já que o texto é mais complexo do que isso. É perceptível também que houve bastante dedicação na disposição dos painéis e nas páginas, de forma que algumas páginas refletem outras e algumas delas se complementam.

Sem a menor sombra de dúvida, Grandes Astros Superman é um marco na história dos quadrinhos, assim como foi Watchmen e O Cavaleiro das Trevas. É arriscado dizer, mas é o mais próximo de um clássico moderno que temos, só que, diferentemente dos anteriores que refletiam um período, este é atemporal. Esta é simplesmente a melhor síntese do maior herói de todos os tempos, trazendo tudo de melhor que todos os seus anos de criação angariaram e ainda mais, uma ótima reflexão sobre a vida. Leitura essencial a todos.

O que andei assistindo…

Olá pessoal! Trago hoje recomendações de filmes que assisti em Agosto e que devem ser vistos. Todo mês vou fazer esta curta lista para indicar algumas das melhores coisas que andei assistindo. Vamos lá?

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Correndo com Tesouras, de Ryan Murphy

Antes de se arriscar como criador de séries, responsável por Glee, American Horror Story e Scream Queens, o diretor Ryan Murphy lançou seu primeiro longa-metragem, a adaptação de um livro de memórias da conturbada adolescente de um artista. Durante a década de 1970, os pais do garoto enfrentam uma crise no casamento e decidem se separar. A mãe abusa dos remédios receitados por seu terapeuta, deixando-a em eterno estado de letargia, enquanto seu pai se aventura com outras mulheres. Devido à incapacidade e loucura de sua mãe, o jovem é despachado para morar na casa do terapeuta de sua mãe, com uma família ainda mais maluca que a dele. Lá ele aprende o real significado de família, amor e cuidado, apesar de todos os pesares. Eu, particularmente, tenho uma história com esse filme. Por algum motivo, me marcou demais, marcou um período da minha vida. Também sou suspeito para falar, gosto bastante dos trabalhos do Ryan Murphy na TV, mas esta história realmente tem algo de especial. É engraçada, triste, elucidativa e esperançosa, e, melhor, baseada em fatos reais. Recomendadíssimo!

 

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Cuatro Lunas, de Sergio Tovar Velarde

Este é um filme mexicano sobre quatro histórias de amor distintas. Há um casamento de longa data em crise devido a um marido infiel; há um senhor arriscando seu casamento para tornar seus prazeres reais; há um início conturbado de um namoro proibido; e há também a descoberta de um jovem garoto e uma paixão platônica de infância. A história se desenrola utilizando as quatro fases da lua como metáfora para os diferentes relacionamentos, de forma bastante surpreendente, com resoluções inesperadas. É uma reflexão sobre amor, auto aceitação e perdão nos dias atuais, em que as relações se desgastam rapidamente, onde não há muita necessidade de se conectar a alguém, onde a qualidade das conexões se perdeu, dando lugar à quantidade. O filme chegou a concorrer uma indicação ao Oscar, mas acabou perdendo. É um dos filmes mais criativos que eu assisti nos últimos tempos, onde me deixou literalmente na ponta dos pés com cada cena, a cada reviravolta. Apesar de bastante criativo, é muito crível, é um reflexo duro do momento em que estamos vivendo, tanto em termos de aceitação, como em termos de amor. Esse está disponível no Netflix, então aproveitem!

 

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Holding the Man, de Neil Armfield

Minha primeira impressão após ter visto este foi: mais pessoas deveriam ver. Faltou publicidade para este filme maravilhoso. Ele conta a história de um casal, desde o início de seu difícil relacionamento, até os últimos dias. Do começo conturbado que todo casal homossexual passa, principalmente na década de 1970, até a época de liberdade sexual do final da década, indo para o auge da AIDS no ínicio dos anos 80, terminando dez anos depois. É essencialmente uma grande história de amor com seus altos e baixos, um amor que atravessa décadas e diversos períodos, para se entregar ao infinito. A atuação é fantástica, e em certo momento chega a lembrar Clube de Compras Dallas, até por conta do tema. Este filme também é baseado em um livro de memórias homônimo, que por sua vez é baseado em fatos reais. Isso torna a história que já era emocionante, ainda mais tocante. Sinceramente é um dos melhores filmes do gênero. E está disponível no Netflix também!

 

Por enquanto é isso, pessoal. Mês que vem estarei de volta com mais dicas de filmes para assistir. Até mais!

O que andei ouvindo…

Olá pessoas! Venho hoje trazer recomendações musicais do que mais ando escutando no momento, com breves descrições, as melhores músicas e a minha opinião. Todo início de mês pretendo postar o que ando ouvindo de bom, de conhecido, desconhecido, lançamentos, antigos e clássicos. Coloquei as minhas preferidas em uma playlist do Spotify, que você pode escutar clicando aqui ou indo lá pro final do post. Vamos lá?

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Britney Spears – Glory

Se em 2013 ela lançou seu álbum mais pessoal até então, o Britney Jean, cheio de composições próprias, mas que desagradou a grande maioria, aqui ela consegue encontrar a metade do caminho entre suas próprias letras e a opinião do público. Um álbum totalmente dançante, com poucas baladas, e a voz da Britney está como nunca antes. Eu juro! Glory entra na lista de melhores álbuns dela, junto com In the Zone Blackout. Amém Britney!

Favoritas: “Do You Wanna Come Over?”, “Just Luv Me”, “What You Need”, “Change Your Mind” e “If I’m Dancing”

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Rihanna – Anti

Sempre que ela lança um álbum eu escuto até não aguentar mais, me apaixono por eles. Não foi o caso do Anti, lançado no começo desse ano. Por algum motivo, não me desceu. Eu pulava sempre pras baladas, e só. Achei a arte da capa pretensiosa, a proposta de lançamento com a Samsung forçada, não gostei mesmo. Achei ainda que sua voz estava mudada, mais fraca. Acabei dando uma nova chance pra ele agora e me apaixonei. É um álbum difícil e real, sobre a vida real, de forma nua e crua, abordando muito sobre a vida amorosa da Rihanna. E, apesar de ela não compor suas próprias letras, Rihanna faz um ótimo serviço ao escolher quais músicas entram e quais saem, tanto que as faixas extras deste são totalmente descartáveis. Rihanna é mais inteligente do que parece, lançou um álbum duro, difícil de engolir, mas uma obra prima dentre seus lançamentos anteriores. Ela nos dá performances vocais impressionantes, enquanto canta suas dores, mascarada por batidas trap.

Favoritas: “James Joint”, “Kiss It Better”, “Love on the Brain”, “Higher” e “Closer to You”

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Fantasia – The Definition of…

Ah, o que dizer de Fantasia? Ela devia ser mais conhecida, mas de alguma forma estranha, participantes do American Idol não se tornam extremamente famosos, não? Há poucas exceções, mas Fantasia acaba sendo a regra. Ganhadora de Grammy, atriz da Broadway e do cinema, escritora e compositora, ela lançou recentemente mais um álbum surpreendente. Suas músicas misturam soul, jazz, R&B e uma voz poderosa. E neste álbum ela realmente varia de um pop rock com letras pesadas, para uma melodia suave logo em seguida, sem jamais perder sua essência. Afinal, esta é sua definição, uma artista versátil, completa e belíssima que certamente merece maior reconhecimento pelo seu trabalho.

Favoritas: “Crazy”, “When I Met You”, “Stay Up”, “Roller Coasters” e “I Made It”

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The Weeknd – Beauty Behind the Madness

Outro álbum que eu relutei muito em escutar, quando escutei, estava preparado pra detonar e acabei não gostando mesmo. Resolvi dar mais uma chance pra ele e acabei curtindo. A arte imita a vida, certo? Então se ele canta sobre sexo, deve ser porque ele pratica bastante. Com essa ideia em mente, comecei a apreciar melhor as músicas do The Weeknd, que certamente tem um estilo de vida bastante diferente do meu! Mas não é só sobre isso que ele fala, há músicas sonoramente interessantes também, sobre relacionamentos, amor, perdas e ganhos. Estranhamente, o que mais me agrada no The Weeknd, além de sua voz e suas composições, é sua semelhança com o artista Jean Michel Basquiat. Ele ainda trás para seu álbum o Labrinth, Lana Del Rey e Ed Sheeran. Há sim beleza por trás da loucura, e há uma mensagem por trás de suas músicas, que definitivamente são bastante inspiradas.

Favoritas: “Losers”,  “Tell Your Friends”, “As You Are”, “Prisoner”

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Christina Aguilera – “Telepathy”

O Netflix lançou recentemente mais uma de suas sensacionais séries originais, esta, chamada The Get Down, foi criada pelo mestre do cinema Baz Luhrmann, responsável por clássicos como Romeu + Julieta Moulin Rouge. E como tudo que o diretor faz, tem de ter uma trilha sonora poderosa para acompanhar. Uma das convidadas para emprestar sua voz foi Christina Aguilera, em uma música composta por Sia, produzida por StarGate e com a participação do guitarrista e produtor Nile Rodgers, do Chic. Com uma pitada de anos 70, disco e gay ball, a voz já madura de Christina brilha através das batidas. Mais um acerto para todos os envolvidos. Fiquei viciado!

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Ellie Goulding – “Still Falling for You”

Depois do sucesso de “Love Me Like You Do”, que lhe rendeu uma indidação ao Grammy, e de um álbum que, na minha opinião, foi esquecível, a querida Ellie Goulding retorna com mais uma música para trilha sonora. Desta vez, a vítima é o filme O Bebê de Bridget Jones, a continuação desnecessária de uma das comédias mais engraçadas dos anos 2000. A música é adorável, sobre como continuar se apaixonando depois de já estar em um relacionamento. A voz agudíssima da inglesa é uma delícia de escutar, ainda mais em uma balada tão suave e gostosa como esta. Esperando que seja um hit tão grande quanto “Love Me Like You Do”, afinal, a Ellie merece!

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Espero que tenham gostado! Em breve tem mais!

Esquadrão Suicida: O Pior dos Piores?

Estreou semana passada o aguardadíssimo filme Esquadrão Suicida, de David Ayer, a mais nova adição ao Universo Estendido da DC nos cinemas. Muito tem sido falado nos últimos meses sobre este filme, muito hype foi construído em cima dele. Foram muitos trailers fantásticos – o que tem “Bohemian Rhapsody” é um favorito meu -, muitas imagens lançadas na internet atiçando nossos desejos, muitos pôsteres e uma campanha de marketing pesado, mais ainda do que pra Batman v Superman, creio eu! Mas e o filme em si?

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O filme foi escrito e dirigido por David Ayer, novato no mercado cinematográfico, responsável pelo roteiro de Dia de Treinamento, com Denzel Washington e Ethan Hawke, pela direção de Reis da Rua e pelo mais recente Corações de Ferro, com Brad Pitt. Seus filmes por vezes são criticados, com Corações de Ferro sendo um destaque da maré boa do diretor.

O Superman morreu, todos assistimos a seu enterro em Batman v Superman. Mas e agora? Quem poderá nos defender? Amanda Waller, a serviço do governo americano, recruta uma série de vilões, dentre eles assassinos e metahumanos, da classe mais perigosa para formar a Força Tarefa X, com a missão de proteger o povo de ameaças de outros mundos (assim como Apocalipse e General Zod). Na lista de Waller, encontram-se o Pistoleiro (Will Smith), a Arlequina (Margot Robbie), o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), El Diablo (Jai Hernandez) e o Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), todos assassinos profissionais. Para trabalhar lado a lado com eles, Waller recruta o sargento Rick Flag, junto com sua namorada, a arqueóloga Dr. June Moone (Cara Delevigne), que é possuída por uma bruxa anciã após uma descoberta em campo. O problema é que a bruxa, chamada Magia, e até então sob controle, se rebela e decide tomar conta do mundo com seus poderes, criando um exército de seres sobrenaturais. É então que o Esquadrão tem sua primeira missão. (Rimou!)

0w03rh0415-ac10A proposta é interessante. Temos curtas, porém vitais, apresentações de cada personagem, principalmente do Pistoleiro e da Arlequina, os líderes do grupo. Esta versão do Pistoleiro é Floyd Lawton, que possui uma filha adolescente, e seu maior desejo é protegê-la. E matar o Batman. Já a Arlequina tem outras motivações: voltar para os braços de seu amado Coringa. Uma das partes mais interessantes de todo o filme, ainda que de forma muito picotada, é a apresentação da origem da personagem, mostrando desde quando a Dra. Harleen Quinzel começou a tratar do Coringa, passando por sua (belíssima) transformação em Arlequina, sendo mergulhada em um contêiner de produtos químicos, até seu primeiro encontro com o vilão, interrompido pelo Batman. O Coringa, inclusive, tão presente nas plataformas de divulgação do filme, tem menos de 10 minutos de cenas. Mas sua participação reduzida é compreensível; sua única motivação é resgatar a Arlequina, seja lá com quem ela esteja. Parece o corte do personagem assustou até o ator, Jared Leto, que disse ter rodado material o bastante pra fazer um longa-metragem do Coringa. Os outros personagens, suas motivações e origens, também permanecem obscuros à luz do filme.

Assim como houve com Batman v Superman, o longa recebeu duras críticas assim que foi lançado, e justamente. Ele inicia com uma proposta interessante, estilizada, subversiva e divertida, que combinaria perfeitamente com um filme sobre anti-heróis, mas sua edição picotada incomoda logo no começo. Em seguida, assume um tom diferente, mais sério, mas com piadas que não saem do risível. Ainda assim, soa interessante, enquanto vamos conhecendo os personagens e suas missões. Depois, assume o tom de aventura, qualquer aventura de filme adolescente, com uma vilã que quer dominar o mundo com seus poderes. Parece A Múmia e sua trilogia all over again, honestamente. David Ayer parece não ter competência para desenvolver uma história que envolve fantasia sem soar clichê, sem ecoar outras muitas histórias que ouvimos e vimos antes. O roteiro nesta parte é bastante mal escrito, incluindo inclusive um anti-herói que se sacrifica pelo bem de todos.

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As atuações são ótimas. Will Smith é Will Smith, né?! Margot Robbie detona como Arlequina, até o criador da personagem, o mestre Paul Dini, achou. É uma pena que temos a sensação de que vimos todas as cenas da personagem nos trailers que foram lançados, e podemos incluir as piadas também, a maioria delas aparece nos trailers. Tive uma grata surpresa com a atriz e modelo Cara Delevigne. Não tinha a visto atuando ainda, e ela se saiu bem melhor do que esperei, principalmente com a grande incumbência que ela ganhou, de ser a vilã de um filme de vilões. O Coringa, ainda que suas aparições tenham sido bastante curtas e picotadas, está ótimo! Sua já tradicional risada também, mas é perceptível que soa um pouco amadora para um ator do nível de Jared Leto. Viola Davis está impecável como Amanda Waller, papel este que ela diz ter interpretado sem maiores dificuldades, afinal, é ela mesma!

A fotografia, de Roman Vasyanov, é interessante em alguns pontos e feia, propositadamente, em outros. As cenas da Arlequina praticando ginástica em sua cela e mergulhada com o Coringa no contêiner de ácido merecem um destaque, tanto para a fotografia quanto para efeitos especiais e direção. Outras sequências que merecem destaque é do Pistoleiro em ação; é bacana a cena em que ele pega em uma arma pela primeira vez em anos e quando ele ataca os monstros da Magia nas ruas de Midway City.

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A música, de Steven Price, é ótima, e ainda melhor é a trilha sonora do filme, com músicas de Skrillex, Twenty One Pilots e Panic! at the Disco que preenchem de forma brilhante as cenas, complementando o caráter subversivo dos personagens. A música atrapalha em alguns momentos, no entanto, principalmente quando vem uma seguida da outra, sem dar nenhuma brecha.

Meu veredito final é: vejam por si mesmos, tirem suas próprias conclusões, criem suas próprias opiniões, e tenham seus próprios gostos. Eu recomendo a todos com algumas ressalvas, que podem ou não atrapalhar o aproveitamento do filme. Eu posso só dizer que gostei desgostando. E assistam já!